DISCIPLINA

"Ninguém disciplina ninguém. Ninguém se disciplina sozinho. Os homens se disciplinam em comunhão mediados pela realidade"

Paulo Freire


Disciplina é uma palavra de larga aplicação no livro da vida. Podemos considerá-la uma virtude pessoal e intransferível, que ornamenta nosso espírito quando vem por aquisição, mas que pode às vezes violentá-lo, quando dele se acerca por imposição. A disciplina pode ser boa ou má. O que estamos querendo dizer é que disciplina tem direção e sentido, os quais devem ser coerentes na aplicação e justos na causa.
Quem se aproveita do autoritarismo para travestir-se de disciplinador, criando normas despóticas e arbitrárias, é apenas prepotente, servo da arrogância e escravo da tirania. A disciplina é firme e dócil, enérgica e suave para quem a compreende. Não é sinônimo de castigo, mas de ordem e respeito aos objetivos propostos como meta por quem lhe adotou a companhia. Não tendo um fim em si mesma, essa responsável educadora deve ajustar-se às necessidades atuais de cada indivíduo, evoluindo com ele, trabalhando-lhe o Espírito no paradigma da justiça. Vencidas as dificuldades e necessidades que a disciplina enfrentou, a fiel educadora poderá mudar a sua atuação, pois sendo feita para o homem, deverá acompanhá-lo em suas carências e em seu crescimento.

Para alguns principiantes nas hostes da disciplina ela poderá parecer, uma acompanhante rigorosa, que tolhe iniciativas, castra desejos, dá ordens. Na verdade, se a disciplina não faz o papel de buril, lixa, tesoura ou algo que modele, desbastando contornos indesejáveis e arestas desnecessárias, ela falha em sua aplicação fundamental, pois não fará brilhar no Espírito a beleza encoberta pela capa da indiferença às leis divinas. Falo aqui da disciplina religiosa, aquela que induz o indivíduo à auto-regulação, amoldando-se aos objetivos à serem colimados como meta de sua fé.
Quando se resolve ser espírita, tem-se invariavelmente um encontro marcado com a disciplina. Mesmo que não seja o "vigiai e orai", estágio disciplinar mais avançado, o principiante espírita deverá sair da rotina do comodismo, para a conscientização de suas necessidades evolutivas. Aos poucos ele vai descobrindo que na casa espírita os minutos revestem-se de maior significação, aproveitados no trabalho, no estudo doutrinário, no esclarecimento dos problemas existenciais, no fortalecimento da amizade, na gentileza ou nos afagos da caridade. Ali, o anedotário vulgar, o falatório impiedoso, a critica maldosa não prevalecem, pois não encontram receptividade para expandir-se. A dor alheia é sempre motivo de busca aos antídotos contra os venenos que a causaram, e a desgraça é sinal verde para a passagem da fraternidade restauradora. A disciplina é moradora, e não visitante dos centros espíritas, pois aquele que a despede manda igualmente embora as rédeas da instituição. Disciplina e caridade formam o dueto maior de um templo espírita, atuando conjuntamente sob a orientação do bom senso. A disciplina, nesse contexto, não deve ser tão rígida que atropele a caridade, e esta deve ser suficientemente racional para não descaracterizar a disciplina.

A disciplina é uma virtude divina, usada em todo o universo em seus aspectos macro e micro. Desde as galáxias aos nossos órgãos vitais, passando pela queda das flores e o pequenino átomo, esta virtude impõe suas diretrizes para que a harmonia não sofra defasagens. O fugitivo da disciplina vai de encontro a própria natureza quando, transportando-a dentro de si, em sua configuração anatômico-fisiológica, dela procura ausentar-se em processo de fuga infantil e sem saída. Sob esse prisma o indisciplinado é um fora da lei, que precisa ajustar-se ao roteiro benéfico para ele criado, visando proporcionar-lhe os benefícios da paz, fruto imediato do dever cumprido. Nenhum Espírito há que tenha ingressado em um mundo superior sendo indiferente à disciplina. Ninguém há que ame a si e despreze a disciplina. Ninguém que busque a Deus pelos caminhos da indisciplina. A disciplina é companheira assídua da afetividade. Por esse motivo, qualquer pessoa que tente impor disciplina através de gritos e ameaças(cumpridas ou não) revela desconhecimento do tema. Neste caso, as palavras tentam obter a obediência ou mesmo a colaboração, mas na maioria das vezes obtêm apenas representações. Enquanto presente, a revolta muda usa a máscara da obediência e da participação, mas ao afastar-se o ditador prevalece o clima de desagrado e rebeldia. O pseudo-disciplinador pode até dizer: aqui eu mando e sou obedecido. Mas deveria complementar: e sou odiado. A atitude de firmeza e serenidade, a força vigorosa da delicadeza é que levam a uma disciplina por aquisição. Ao iniciar a colaboração no processo disciplinar, o indivíduo, de livre vontade, assume o engajamento nas mudanças, despertando o espírito para as reformas interiores que se refletem nos comportamentos exteriores.

Em algumas pessoas, a parte afetiva encontra-se soterrada sob camadas de mágoas, tristezas, ressentimentos, medo, frustração, raiva... Cabe ao disciplinador retirar o entulho depressivo ou rebeldia, para atingir o núcleo da afetividade que existe em todas as pessoas. Não é assim na desobsessão? O obsessor, rebelde a princípio, não vai perdendo as sucessivas camadas de sentimentos inferiores, demonstrando por fim o desejo de renovação, mola propulsora do seu refazimento?

O homem religioso sente necessidade de disciplinar seu Espírito dentro do "espírito" da verdade. A religião em si, de origem divina, mas administrada por humanos que introduzem nela seu personalismo, apresenta-se em muitas ocasiões carregada de vícios, incentivando a fé irracional ou morta, garroteando a autocrítica de seus seguidores. Muitas ainda em fase de seita salvacionista, pretendendo a posse exclusiva da verdade, apresentando-se como via única de salvação. Assim procedendo, amesquinha a idéia da dimensão de Deus, que é mostrado sob ótica estrábica, como o velho e ciumento Deus do Antigo Testamento, que distribuía privilégios indiscriminadamente. Agem como se Deus, o Senhor da Vida, pudesse colocar em mãos torpes a sua verdade universal e atemporal, luz demais para pobres lamparinas. Mas, muito antes de Moisés, a verdade do budismo já maravilhava o mundo com a sua simplicidade e beleza, antecipando a mensagem luminosa de Jesus. Não é sem razão que o Espiritismo e o Budismo sejam as religiões que mais crescem no Brasil. Religiões que primam pela disciplina espiritual, levando à meditação libertadora, priorizando as virtudes espirituais, sem o obsessivo desejo de posse, sem a cobiça aos bens materiais.

Quando Jesus mencionou a "porta estreita", o "negar a si mesmo", o "tomar a sua cruz", estava falando de quê? Não seria de renúncia, uma das velhas companheiras da disciplina? Para entrar pela porta estreita é necessário rigorosa dieta espiritual, forçando a obesidade inútil das nossas imperfeições a diluir-se pela ginástica do amor. E para isso o cardápio não traz como prato principal a disciplina? Para tomar a cruz aos ombros é urgente negar a si mesmo, reafirmando não o eu mundano, mas o eu divino, essência final da evolução.

A disciplina é a madeira mágica da cruz. Quem a ela se submete de bom grado, a tem com ares maneirosos, e quem contra ela se rebela, a encontra com apêndices onerosos. Lembramos aqui que carregar a cruz é uma atitude difícil para a grande maioria de inconformados do mundo, que não entendem por que sofrem, nem para que sofrem, alienados pelos ensinamentos de suas religiões dogmáticas. O homem que auxiliou Jesus a carregar a mais bela cruz do planeta o fez por imposição irrecusável, como constrangidos são milhões de criaturas, para cumprirem suas obrigações cotidianas.

No Centro Espírita, o bom senso não pode ser exceção. A ausência dele é regra que não se aplica aos que querem servir ao bem. O cidadão comum come, bebe, trabalha, deita e procria. Do espírita exige-se algo mais, que o retire da extensa lista dos acomodados: a disciplina. E ela se afirma no esforço de renovação, que deve ser feito a cada dia. É esse esforço que nos pacifica e rejuvenesce. Perseguindo incessantemente a velha aspiração de paz e justiça, de fraternidade, de amor ao próximo e a si mesmo - essência da pedagogia cristã - o espírita está perseguindo o ideal da doutrina, o saudável ideal que lhe mantém o entusiasmo, mesmo ali, onde os outros fraquejam e capitulam.
Disciplinemos nossas emoções para que elas não nos disciplinem. Lembremo-nos de que, para o cavalo a disciplina pode ser as rédeas, mas para o Espírito imortal ela tem que ser o amor e o conhecimento em toda a sua imensa gama de atuações. E não esqueçamos nunca: o advérbio de negação também consta da gramática do amor, no extenso capítulo da disciplina.

Educação e função dos médiuns

Transcrito da obra “No Invisível”, de Leon Denis, tradução de Leopoldo Cirne, editado pela Federação Espírita Brasileira – FEB

A boa mediunidade se forma lentamente, no estudo calmo, silencioso, recolhido, longe dos prazeres mundanos e do tumulto das paixões
Nada verdadeiramente importante se adquire sem trabalho. Uma lenta e laboriosa iniciação se impõe aos que buscam os bens superiores. Como todas as coisas, a formação e o exercício da mediunidade encontram dificuldades, bastantes vezes já assinaladas; convém insistirmos nisso, a fim de prevenir os médiuns contra as falsas interpretações, contra as causas de erro e de desânimo.
Desde que, por um trabalho preparatório, as faculdades do médium adquirem certa flexibilidade, os resultados que se começam a obter são quase sempre devidos às relações estabelecidas com os elementos inferiores do mundo invisível.

Dificuldades do médium principiante

Uma multidão de espíritos nos cerca, sempre ávidos de se comunicarem com os homens. Essa multidão é sobretudo composta de almas pouco adiantadas, de espíritos levianos, algumas vezes maus, que a densidade de seus próprios fluidos conserva presos à Terra. As inteligências elevadas, animadas de nobres aspirações, revestidas de fluidos sutis, não permanecem escravizadas à nossa atmosfera depois da separação carnal: remontam mais alto, a regiões que o seu grau de adiantamento lhes indica. Daí baixam muitas vezes —é certo— para velar pelos seres que lhes são caros; imiscuem-se conosco, mas unicamente para um fim útil e em casos importantes. Donde resulta que os principiantes quase nunca obtêm senão comunicações sem valor, respostas chocarreiras, triviais, às vezes inconvenientes, que os impacientam e desanimam.

Vítimas de mistificações
Noutros casos o médium inexperto recebe, pela mesinha (método comum nos primórdios do espiritismo) ou pelo lápis, ditados subscritos por nomes célebres, contendo revelações apócrifas que lhe captam a confiança e o enchem de entusiasmo. O inspirador invisível, conhecendo-lhe os lados vulneráveis, lisonjeia-lhe o amor-próprio e as opiniões, superexcita-lhe a vaidade, cumulando-o de elogios e prometendo-lhe maravilhas. Pouco a pouco o vai desviando de qualquer outra influência, de todo exame esclarecido e o leva a se insular em seus trabalhos. É o começo de uma obsessão, de um domínio exclusivista, que pode conduzir o médium a deploráveis resultados.

Esses perigos foram, desde os primórdios do espiritismo, assinalados por Allan Kardec; todos os dias, estamos ainda vendo médiuns deixarem-se levar pelas sugestões de espíritos embusteiros e serem vítimas de mistificações que os tornam ridículos e vêm a recair sobre a causa que eles julgam servir.

Muitas decepções e dissabores seriam evitados se se compreendesse que a mediunidade percorre fases sucessivas, e que, no período inicial de desenvolvimento, o médium é sobretudo assistido por espíritos de ordem inferior, cujos fluidos, ainda impregnados de matéria, se adaptam melhor aos seus e são apropriados a esse trabalho de bosquejo, mais ou menos prolongado, a que toda faculdade está sujeita.

O período de exercício, de trabalho preparatório, é uma escola em que a nossa paciência e discernimento se exercitam
Só mais tarde, quando a faculdade mediúnica, suficientemente desenvolvida, adquiriu a necessária maleabilidade, e se tornou dúctil o instrumento, é que os espíritos elevados podem intervir e utilizá-la para um fim moral e intelectual.
O período de exercício, de trabalho preparatório, tão fértil muitas vezes em manifestações grosseiras e mistificações, é, pois, uma fase normal de desenvolvimento da mediunidade; é uma escola em que a nossa paciência e discernimento se exercitam, em que aprendemos a nos familiarizar com o modo de agir dos habitantes do Além.

Nessa fase de prova e de estudo elementar, deve sempre o médium estar de sobreaviso e nunca se afastar de uma prudente reserva. Cumpre-lhe evitar cuidadosamente as questões ociosas ou interesseiras, os gracejos, tudo em suma que reveste caráter frívolo e atrai os espíritos levianos.
É preciso não se deixar esmorecer pela mediocridade dos primeiros resultados, pela abstenção e aparente indiferença dos nossos amigos do Espaço

Médiuns principiantes, ficai certos de que alguém vela por vós e de que a vossa perseverança é posta à prova. Quando houverdes chegado ao ponto requerido, influências mais altas baixarão a vós e hão de continuar a vossa educação psíquica.

Não procureis na mediunidade um objetivo de mera curiosidade ou de simples diversão; considerai-a de preferência como um dom do Céu, uma coisa sagrada, que deveis utilizar com respeito, para o bem de vossos semelhantes. Elevai o pensamento às almas generosas que trabalham no progresso da Humanidade; elas virão a vós e vos hão de amparar e proteger. Graças a elas, as dificuldades do começo, as inevitáveis decepções que experimentareis não terão desagradáveis conseqüências; servirão para vos esclarecer a razão e vos desenvolver as forças fluídicas.
A boa mediunidade se forma lentamente, no estudo calmo, silencioso, recolhido, longe dos prazeres mundanos e do tumulto das paixões

Depois de um período de preparação e expectativa, o médium colhe o fruto de seus perseverantes esforços; recebe dos espíritos elevados a consagração de suas faculdades, amadurecidas no santuário de sua alma, ao abrigo das sugestões do orgulho. Se guarda em seu coração a pureza de ato e de intenção, virá, com a assistência de seus guias, a se tornar cooperador utilíssimo na obra de regeneração que eles vêm realizando.

Dignos de louvor são os médiuns que, por seu desinteresse e fé profunda, têm sabido atrair, como uma espécie de aliados, os espíritos de escol, e participar de sua missão .

Educação e função dos médiuns (Parte 2)
A proteção de um espírito bom
Terminada a primeira fase de desenvolvimento de suas faculdades, o importante para o médium é obter a proteção de um espírito bom, adiantado, que o guie, inspire e preserve de qualquer perigo.
Na maior parte das vezes é um parente, um amigo desaparecido que desempenha ao pé dele essas funções. Um pai, uma mãe, uma esposa, um filho, se adquiriram a experiência e o adiantamento necessários, podem-nos dirigir no delicado exercício da mediunidade. mas o seu poder é proporcionado ao grau de elevação a que chegaram, e nem sempre a sua ternura e solicitude bastam para nos defender das investidas dos espíritos inferiores.

Dignos de louvor são os médiuns que, por seu desinteresse e fé profunda, têm sabido atrair, como uma espécie de aliados, os espíritos de escol, e participar de sua missão.
Para fazer baixar das excelsas regiões, esses espíritos, para se decidir a mergulhar em nossa espessa atmosfera, é preciso oferecer-lhes aptidões, notáveis qualidades.

Seu ardente desejo de trabalhar na regeneração do gênero humano torna, entretanto, essa intervenção muito menos rara do que se poderia imaginar. Centenas de espíritos superiores pairam acima de nós e dirigem o movimento espiritualista, inspirando os médiuns, projetando sobre os homens de ação as vibrações de sua vontade, a fulguração do seu próprio gênio.

O longínquo eco das regiões celestes
Conheço vários grupos que possuem uma assistência dessa ordem. Pela pena, pelos lábios dos médiuns, os espíritos-guias ditam instruções, fazem ouvir exortações; e não obstante as imperfeições do meio e as obscuridades que lhes amortecem e velam a irradiações do pensamento, é sempre um penetrante enlevo, um gozo dalma, um gratíssimo conforto saborear a beleza de seus pensamentos escritos, escutar as inflexões de sua palavra, que nos vem como longínquo e mavioso eco das regiões celestes.

A descida ao nosso mundo terrestre é um ato de abnegação e um motivo de sofrimento para o espírito elevado
Nunca seriam demasiados a nossa admiração e reconhecimento à generosidade dessas almas, que não recuam diante do contato dos fluidos grosseiros, à semelhança dessas nobres damas, delicadas, sensitivas, que, ao impulso da caridade, penetram em lugares repugnantes, para levar socorros e consolações.

Quantas vezes, em sessões de estudo, temos ouvido dizerem os nossos guias: “Quando, do seio dos Espaços, vimos até vós, tudo se restringe, se amesquinha e se vai pouco a pouco retraindo. Lá, nas alturas, possuímos meios de ação que nem podeis compreender; esses meios se enfraquecem logo que entramos em relação com o ambiente humano”.
Tanto que um desses grandes espíritos baixa ao nosso nível e se demora em nossas obscuras regiões, logo o invade uma impressão de tristeza; ele sente como que uma depressão, uma diminuição de seus poderes e percepções. Só por um constante exercício da vontade, com o auxílio das forças magnéticas hauridas no espaço, é que se habitua ao nosso mundo e nele cumpre as missões de que é encarregado.

Os espíritos missionários trabalham para desenvolver uma compreensão mais vasta do objetivo da existência e dos humanos destinos.
Porque, na obra providencial, tudo se acha regulado para o ensino gradual e o progresso da Humanidade. Os espíritos missionários e instrutores vêm revelar, por meio das faculdades mediúnicas, as verdades que o nosso grau de evolução nos permite apreender e compreender. Desenvolvem, na esfera humana, as elevadas e puras concepções da divindade e nos vão, passo a passo, conduzindo a uma compreensão mais vasta do objetivo da existência e dos humanos destinos. Não se deve esperar de tais espíritos as provas banais, os testemunhos de identidade que tantos experimentadores exigem; mas de nossos colóquios com eles se exala uma impressão de grandeza, de elevação moral, uma irradiação de pureza, de caridade, que sobre-excederá todas as provas materiais e constituirá a melhor das demonstrações.

Os espíritos superiores lêem o que em nosso íntimo se passa, conhecem as nossas intenções e dão muito pouco apreço às nossas fantasias e caprichos .
Para atender aos nossos chamados e prestar-nos assistência, exigem de nossa parte uma vontade firme e perseverante, uma fé elevada, um veemente desejo de nos tornarmos úteis. Reunidas essas condições, aproximam-se de nós; começa então, muitas vezes sem o sabermos, um demorado trabalho de adaptação dos seus fluidos aos nossos. São as preliminares forças de toda relação consciente. À medida que se estabelece a harmonia das vibrações, a comunicação se acentua sob formas apropriadas às aptidões do sensitivo: audição, visão, escrita, incorporação.
Os espíritos superiores, indiferentes às satisfações de opiniões materiais e interesseiras, comprazem-se ao pé dos homens que procuram no estudo um meio de aperfeiçoamento.

A pureza de nossos sentimentos lhes facilita a ação e aumenta a influência.
Outros Espíritos de menor categoria, por um impulso de dedicação, ligam-se a nós e nos acompanham até ao termo de nossa peregrinação terrestre. São os gênios familiares ou Espíritos protetores. Cada pessoa tem o seu. Eles nos guiam, em meio das provações, com uma paciência e uma bondade admiráveis, sem jamais se cansarem. Os médiuns devem recorrer à proteção desses amigos invisíveis, quase sempre membros adiantados de nossa família espiritual, com quem outrora vivemos neste mundo. Aceitaram a missão, tantas vezes ingrata, de velar por nós; através de nossas alegrias e aflições, de nossas quedas e reabilitações, nos acompanham para uma vida melhor, em que nos acharemos de novo reunidos para uma mesma tarefa, identificados em um mesmo amor.

Em todo ser humano existem rudimentos de mediunidade, faculdades em gérmen, que se podem desenvolver pelo exercício .
Para o maior número, um longo trabalho perseverante é necessário. Em alguns, essas faculdades se revelam desde a infância, e sem esforço vêm a atingir, com os anos, um alto grau de perfeição. Representam em tal caso o resultado das aquisições anteriores, o fruto dos labores efetuados na Terra ou no Espaço, fruto que conosco, ao renascer, trazemos.
Entre os sensitivos, muitos têm a intuição de um mundo superior, extraterrestre, em que existem, como em reserva, poderes que lhes é possível adquirir mediante íntima comunhão e elevadas aspirações, para em seguida os manifestarem sob diversas formas, apropriadas à sua natureza: adivinhação, ensinamentos, ação curativa, etc.

Faculdade preciosa.
Aplicada em tal sentido, a mediunidade torna-se uma faculdade preciosa, por meio da qual podem ser liberalizados imensos benefícios e realizadas grandes obras.
À Humanidade seria facultado um poderoso elemento de renovação, se todos compreendessem que há, acima de nós, um inesgotável manancial de energia, de vida espiritual, que se pode atingir por gradativo adestramento, por constante orientação do pensamento e da vontade no sentido de assimilar as suas ondas e radiações, e com o seu auxílio desenvolver as faculdades que em nós jazem latentes.

A aquisição dessas forças nos abroquela contra o mal, nos coloca acima dos conflitos materiais e nos torna mais firmes no cumprimento do dever. Nenhum dentre os bens terrenos é comparável à posse desses dons. Sublimados a seu mais alto grau, fazem os grandes missionários, os renovadores, os grandes inspirados.
Como podem adquirir esses poderes, essas faculdades superiores? Descerrando nossa alma, pela vontade e pela prece, às influências do Alto .

Do mesmo modo que abrimos as portas da nossa casa, para que nela penetrem os raios do Sol, assim também por nossos impulsos e aspirações podemos franquear aos eflúvios celestes o nosso “ego” interior.
É aí que se manifesta a ação benéfica e salutar da prece. Pela prece humilde, breve, fervorosa, a alma se dilata e dá acesso às irradiações do divino foco. A prece, para ser eficaz, não deve ser uma recitação banal, uma fórmula decorada, senão antes uma solicitação do coração, um ato da vontade, que atrai o fluido universal, as vibrações do dinamismo divino. Ou deve ainda a alma projetar-se, exteriorizar-se por um vigoroso surto e, consoante o impulso adquirido, entrar em comunicação com os mundos etéreos.

Assim, a prece rasga uma vereda fluídica pela qual sobem as almas humanas e baixam as almas superiores, de tal modo que uma íntima comunhão se estabeleça entre umas e outras, e o espírito do homem seja iluminado e fortalecido pelas centelhas e energias despedidas das celestiais esferas.

A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados .

Educação e função dos médiuns (Parte 3)

Os bons médiuns são raros
Em espiritismo, a questão de educação e adestramento dos médiuns é capital; os bons médiuns são raros —diz-se muitas vezes, e a ciência do invisível, privada de meios de ação, só com muita lentidão vem a progredir.
Quantas faculdades preciosas, todavia, não se perdem, a míngua de atenção e de cultura! Quantas mediunidades malbaratadas em frívolas experiências, ou que, utilizadas ao sabor do capricho, não atraem mais que perniciosas influências e só maus frutos produzem! Quantos médiuns inconscientes de seu ministério e do valor do dom que lhes é outorgado, deixam inutilizadas forças capazes de contribuir para a obra de renovação!

A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar, necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados
Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres, e, sobretudo, a terna solicitude do bom espírito que a envolve em seu amor, em seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, querem fazê-la produzir frutos prematuros, e desde logo se estiola a fana ao contato dos espíritos atrasados.
Na Antigüidade, os jovens sensitivos que revelavam aptidões especiais eram retirados do mundo, segregados de toda influência degradante, em lugares consagrados ao culto, rodeados de tudo o que lhes pudesse elevar o sentido do belo. Tais eram as vestais, as druidesas, as sibilas, etc .

O mesmo acontecia nas escolas de profetas e videntes da Judéia, situadas longe do ruído das cidades. No silêncio do deserto, na paz dos alterosos cimos, melhor podiam os iniciados atrair as influências superiores e interrogar o invisível. Graças a essa educação, obtinham-se resultados que a nós nos surpreendem.
Tais processos são hoje inaplicados. As exigências sociais nem sempre permitem ao médium dedicar-se, como conviria, ao cultivo de suas faculdades. Sua atenção é distraída pelas mil necessidades da vida de família, suas aspirações estorvadas pelo contacto da sociedade mais ou menos corrompida ou frívola.

Muitas vezes é ele chamado a exercer suas aptidões em círculos impregnados de fluidos impuros, de inarmônicas vibrações, que reagem sobre o organismo tão impressionável e lhe produzem desordens e perturbações.
Quanto mais desenvolvidos forem no médium o saber, a inteligência, a moralidade, mais apto se tornará ele para servir de intermediário às grandes almas do Espaço.

É preciso que, ao menos, o médium, compenetrado da utilidade e grandeza de sua função, se aplique a aumentar seus conhecimentos e procure espiritualizar-se o mais possível, que se reserve horas de recolhimento e tente então, pela visão interior, alçar-se até às coisas divinas, à eterna e perfeita beleza. Quanto mais desenvolvidos forem nele o saber, a inteligência, a moralidade, mais apto se tornará para servir de intermediário às grandes almas do Espaço.
Uma organização prática do Espiritismo comportará, no futuro, a criação de asilos especiais, onde os médiuns encontrarão reunidas, com os meios materiais de existência, as satisfações do coração e do espírito, as inspirações da Arte e da Natureza, tudo o que às suas faculdades pode imprimir um caráter de pureza e elevação, fazendo em torno deles reinar uma atmosfera de paz e confiança.

Educação mediúnica
Em tais meios, poderiam os estudos experimentais produzir muito melhores resultados que os que até agora se têm muitas vezes obtido em condições defeituosas. A intrusão dos Espíritos levianos, as tendências à fraude, os pensamentos egoísticos e os malévolos sentimentos se atenuariam pouco a pouco e terminariam por desaparecer. A mediunidade se tornaria mais regular, mais segura em suas aplicações. Não mais se havia de, com tanta freqüência, observar esse mal-estar que experimenta o sensitivo, nem ocorreriam esses períodos de suspensão das faculdades psíquicas, culminando mesmo em seu completo desaparecimento em seguida ao mau uso delas feito.

Centros de educação mediúnica
Os espiritualistas de além-mar cogitam de fundar, em muitos dos grandes centros americanos, “homes” ou edifícios dotados de certo número de salas apropriadas aos diferentes gêneros de manifestações e munidas de aparelhos de experimentação e fiscalização. Cada sala, vindo com o uso a impregnar-se do magnetismo particular que convém a tais experiências, seria destinada a uma ordem especial de fenômenos: materializações, incorporações, escrita, tiptologia, etc. Um órgão, colocado no centro do edifício, propagaria a todas as suas partes, nas horas de sessão, enérgicas vibrações, a fim de estabelecer nos fluidos circulantes e no pensamento dos assistentes a unidade e harmonia tão necessárias. A música exerce, com efeito, uma soberana influência nas manifestações, facilitando-as e tornando-as mais intensas, como inúmeros experimentadores o têm reconhecido.

Merecem inteira aprovação esses projetos, e devemos fazer votos pela sua realização em todos os países, porque viriam, por sua natureza, uma vez realizados, a dar vigoroso impulso aos estudos psíquicos e facilitar em larga escala essa comunhão dos vivos e dos mortos, mediante a qual se afirmam tantas verdades de valor incalculável, capazes de, em sua propagação pelo mundo, renovar a Fé e a Ciência.

O auxílio do Alto é sempre proporcionado ao fim que nos propomos, aos esforços que empregamos para o merecer
O importante para o médium, dissemos mais acima, é assegurar-se uma proteção eficaz. O auxílio do Alto é sempre proporcionado ao fim que nos propomos, aos esforços que empregamos para o merecer. Somos auxiliados amparados, conforme a importância das missões que nos incumbem, tendo-se em vista o interesse geral. Essas missões são acompanhadas de provas, de dificuldades inevitáveis, mas sempre reguladas conforme as nossas forças e aptidões.
Desempenhadas com dedicação, com abnegação, as nossas tarefas nos elevam na hierarquia das almas. Negligenciadas, esquecidas, não realizadas, nos fazem retrotrair a escala de progresso. Todas acarretam responsabilidades .

Desde o pai de família que incute em seus filhinhos as noções elementares do bem, o preceptor da mocidade, o escritor moralista, até o orador que procura arrebatar as multidões às culminâncias do pensamento, cada um tem sua missão a preencher.
Não há mais nobre, mais elevado cargo que ser chamado a propagar, sob a inspiração das potências invisíveis, a verdade pelo mundo, a fazer ouvir aos homens o atenuado eco dos divinos convites, incitando-os à luz e à perfeição.Tal é o papel da alta mediunidade.

Responsabilidade
Falamos de responsabilidade. É necessário insistir sobre esse ponto. Muitos médiuns procuram, no exercício de suas faculdades, satisfações de amor-próprio ou de interesse. Descuram de fazer intervir em sua obra esse sentimento grave, refletido, quase religioso, que é uma das condições de êxito.Esquecem muitas vezes que a mediunidade é um dos meios de ação por que se executa o plano divino, e que ele não tem o direito de utilizá-la ao sabor de sua fantasia.
Enquanto se não tiverem compenetrado os médiuns da importância de sua função e da extensão de seus deveres, haverá no exercício de suas faculdades uma fonte de abusos e de males .

Os dons psíquicos, desviados de seu eminente objetivo, utilizados para fins de interesses medíocres, pessoais e fúteis, revertem contra os seus possuidores, atraindo-lhes, em lugar dos gênios tutelares, as potências malfazejas do Além.
Fora das condições de elevação de pensamento, de moralidade e desinteresse, pode a mediunidade constituir-se um perigo; ao passo que tendo por fim firme propósito no bem, por suas aspirações ao ideal divino, o médium se impregna de fluidos purificados; uma atmosfera protetora se forma em torno dele, o envolve, o preserva dos erros e das ciladas do invisível.

Obtendo assistência do Alto
E se, por sua fé e comprovado zelo, pela pureza dalma em que nenhum cálculo interesseiro se insinue, obtém ele a assistência de um desses Espíritos de luz, depositários dos segredos do Espaço, que pairam acima de nós e projetam sobre a nossa fraqueza as suas irradiações; se esse Espírito se constitui seu protetor, seu guia, seu amigo, graças a ele sentirá o médium uma força desconhecida penetrar-lhe todo o ser, uma chama lhe iluminar a fronte. Todos quantos tomarem parte em seus trabalhos, e colherem os seus resultados, sentirão reanimar-se-lhes o coração e a inteligência às fulgurações dessa alma superior; um sopro de vida lhes transportará o pensamento às regiões sublimes do Infinito
.

 

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