ANTONIO JOAQUIM FREIRE


“Paz é frutescência do amor. Quem ama verdadeiramente perdoa, esquece, restaura e, por isso, segue em paz.”

O mundo material é transitório, efêmero, e a matéria qual a vemos, é de mínima importância no Universo, se bem que nos pareça, agora, de suma importância. Eterno é o que não vemos; temporário o que vemos. Diversos mundos destinados à habitação de Espíritos falidos e, como tais, sujeitos à encarnação humana. Esses mundos também são apropriados ao estado de desenvolvimento e de progresso dos Espíritos que os habitam. Assim é que são: materiais, mais ou menos inferiores, mais ou menos superiores uns com relação aos outros; mais ou menos materiais, mais ou menos fluídicos.
Servindo, para a encarnação dos espíritos que faliram para seu desenvolvimento e progresso, também têm que, através dos tempos, dos séculos, das eternidades, tomarem lugar entre os mundos celestes ou divinos, dos quais só os puros Espíritos podem aproximar-se.
O Plano Divino é o da evolução e dentro dele todas as formas de progresso das criaturas se verificariam sem o concurso desses movimentos lamentáveis, que atestam à pobreza moral da consciência do mundo. Formado dos espíritos desencarnados, o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no espaço, sem limite algum designado.
O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. Também o mundo espiritual é assim composto de diferentes planos, evidenciando variadíssimos graus de adiantamento. Diz-se, do Mundo Espiritual, que o Dr. Antonio Joaquim Freire foi o grande impulsionador do movimento espírita português e, presentemente, um dos seus diretores e responsáveis espirituais pela evidente vivacidade e seu extraordinário dinamismo. Médico, escritor, jornalista formara-se em Medicina, obtendo também o curso de Medicina Sanitária, pela prestigiada “Universidade de Coimbra”. Sendo um dos fundadores da Federação Espírita Portuguesa, um distinto membro, onde exerceu a função de primeiro vice-presidente, da primeira direção eleita, em 31 de julho de 1926, para um quadriênio.
Quem o escutasse, nas suas múltiplas conferências, verificava que ele era uma pessoa muito ilustre. Escreveu obras notáveis sobre o Espiritismo, algumas reeditadas no Brasil, na Argentina e também em Portugal. Nasceu no dia 20 de julho de 1877, na vila e freguesia de Espinhal, concelho de Penela, distrito de Coimbra, regressando à pátria espiritual com 82 anos, no dia 3 de março de 1958, na cidade de Lisboa, vitimado por uma bronco-pneumonia que lhe provocara uma síncope cardíaca fulminante. Discordante declarado da República foi preso em maio de 1911, permanecendo nos calabouços da famosa prisão (A Trafaria). Em março de 1912, fugiu de Portugal, passando por diversos países, estabelecendo-se finalmente na Argentina em 1913, regressando a sua pátria em outubro de 1917.

Antonio Joaquim Freire dividiu a direção da “Revista de espiritismo” com o Dr. Afonso Acácio Martins Velho (Advogado e Escritor), professor Dr. Antonio Lobo Vilela, (matemático e escritor), tendo como secretário da redação o jornalista Pedro Cárdia. Dr. Alberto Zagalo Fernandes (ex-presidente da Associação Acadêmica de Lisboa), e José Neves completavam essa dinâmica equipe. Esse periódico bimestral tinha 40 páginas, sendo muito conceituado internacionalmente. Presentemente a revista voltou à tipografia em 1994, revelando-se um elo importante de religação com esse passado ilustre que a ditadura fascista repressora reduziu a estaca zero. J. Camilo de Almeida narra parte da atividade frutífera de Antonio Joaquim Freire nos seus périplos em solo lusitano: “As viagens do Dr. Antonio Joaquim Freire por todo País, as suas brilhantíssimas conferências que proferiu nas principais cidades construíram uma verdadeira apoteose daquelas jornadas para a Causa que começava a despontar na sua terra. Ela lança, assim, a estrutura da organização, congraça energia dispersas, anima os titubeantes, insufla aquela fé tão necessária nos primeiros momentos de combate; ele ascende os primeiros fachos, em breve se tornariam labaredas altas, destruidoras das trevas dos fanatismos e dos velhos preconceitos que sepultam as almas ansiosas. Ele ainda agora eletriza as multidões com a sua palavra convincente e magnetizadora; ele é luz, é vida, porque ilumina as almas, porque tonifica os corpos, rasgando novos horizontes à finalidade do espírito humano”.

Talvez alguém possa achar essa biografia com uma colocação do português estranho e realmente o é, já que esta foi totalmente editada no país deste famoso espírita português, homem de destaque, dedicado às causas da doutrina espírita e a Medicina que exerceu com denodo e satisfação. Nem por isso deixaremos de ilustrar o quadro de espíritas com o nome dessa figura exponencial portuguesa e pouco conhecido no nosso Brasil. Por altura dos anos penosos da II Grande Guerra Mundial, Antonio Joaquim Freire faz uma interrupção na sua participação no movimento espírita durante cerca de quatro anos. A revista “Além”, nos finais de 1947 salienta entusiastamente o seu regresso as lides doutrinárias, depois de uma prolongada doença que o inutilizou mais de quatro anos, passou no Porto, na sua viagem de convalescença, e conviveu alguns dias em amena camaradagem. A direção da Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas congratula-se pelo regresso à atividade espírita de seu amigo, colaborador e criador dessa Associação, Sr. Antonio Joaquim Freire, só agora restabelecido da sua longa doença. E, sobre as conferências estava pronto a fazê-las dentro de meses “serão anunciadas nos diários do Porto e, como habitualmente, a entrada será livre”. E noutro número da mesma revista “O Dr. Antonio Joaquim Freire”, depois de longos quatro anos de ausência que a doença e os desgostos fizeram afastar do convívio dos patrícios. Volta novamente as lides a encher o vácuo que nos rodeava, com sua palavra fluente e eletrizante, com a sua ciência, com o prestígio do seu nome, a impor a Causa, a difundir a sua sublime doutrina. “Eis, de novo na luta”. “O Comércio do Povo” e o “Jornal de Notícias”, ambos da Cidade Invicta, sendo os diários sociais de maior tiragem e mais conceituados da época, davam-lhe com freqüência lugar nas suas páginas, ao noticiar suas conferências e seus périplos. Legou-nos obras como: à Margem do Espiritismo, A Alma Humana, A Energia Mental e as Formas de Pensamento, Animismo e Espiritismo, da Evolução do espiritismo Experimental ou Comentários a uma Pastoral.

Naturalmente que uma autobiografia não se faz decorado e por mais estudada que fosse sempre existiriam vácuos na sua confecção. Algumas fontes foram pesquisadas como: In-“Sol de Esperança”, psicografado por Divaldo Pereira Franco; Revista de espiritismo, dos meses de setembro e outubro de 1929; Revista “Além”, janeiro e fevereiro de 1948, editada pela sociedade Portuense de estudos Psíquicos e outras obras da literatura portuguesa. Espero ter contribuído mais uma vez para levar aos conterrâneos brasileiros mais conhecimentos de homens ilustres que se destacaram na doutrina espírita. Assim seja.


enviado por ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI ALOMERCE E AOUVIRCE

 

 
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